sábado, 20 de setembro de 2014

SEPTEMBER A.K.A SCHOOL AGAIN | Há praxes e praxes

Este ano entrei na faculdade.
Andava muito ansiosa, não por saber se entrava ou não na minha primeira opção (o que aconteceu) mas pelo "depois". Dito isto, as praxes e afins.
Nunca quis muito ir mas, como é bom ter opinião própria e experimentar as coisas para depois chegar a uma conclusão pessoal, lá acabei por decidir que ia.

No primeiro dia, correu tudo "normal". 
Puseram-nos logo de olhos no chão, encostados a uma parede e sem puder rir. 
Quando tentávamos falar com alguém, mandavam-nos calar.
Ensinaram-nos aquilo a que eles chamam a "respeito".

No dia seguinte, obrigaram-nos a estar lá às 8h quando só tínhamos aulas às 14h.
Quando já estávamos todos em fila, de olhos no chão, encostados à parede, uma trajada chegou ao pé de mim para me escrever na cara e eu tinha o cabelo solto. A excelentíssima senhora trajada, aos berros, disse-me "tira a m**** do cabelo da frente dessa tromba, agora c******!" e eu pergunto-me: era preciso falar assim?
Onde está o respeito? Claro que as pessoas que estão lá para a javardice nem ligam a essas coisas mas pessoas como eu, que gostam de respeitar e ser respeitadas, não acham que essa foi a atitude correta.

O que aprendi mais nas praxes foi a dizer 20 palavrões na mesma frase aos berros. Era isso que faziam constantemente. E eles achavam imensa piada a isso.

O 2º dia consistiu em flexões, abdominais, enfim, esforços físicos, gritos, satisfazer as vontades dos senhores trajados, coisas sem nexo. E ainda me disseram que tínhamos de fazer isto para aprender a respeitar.

Desculpem, para mim isto não é respeitar ninguém, é sim submeter-se a um conjunto de pessoas que (a maior parte deles) andam ali à seculos para acabar uma licenciatura de 3 anos.

Desisti de ser praxada. Não digo que sou "antipraxe" mas não quero ser praxada. Não ligo a estas coisas da vida académica: não quero praxar nem trajar.
Há praxes e praxes. Enquanto em Lisboa 1 semana chega para "integrar" os caloiros, aqui temos de nos levantar todos os dias mais cedo para estar às 8h na escola para sermos praxados durante, pelo menos, duas semanas.

Eu pergunto-me, é preciso isto para se ser integrado? Nunca precisámos de esforços físicos para ser integrados, porquê agora?
Como é suposto integrar-me e conhecer os trajados se não posso olhá-los nos olhos? Nem falar com os outros caloiros?

Novamente, há praxes e praxes.
Não me senti bem na praxe e desisti. Não ponho lá mais os pés. Agora chamam-me "antipraxe" e dizem-me que tenho de assinar um papel. Para quê? Se não reconheço a praxe, não assino nada.
Ninguém é obrigado a entrar nestas "brincadeiras", assim como não têm de ser logo rotulados de "antipraxe".

Na minha opinião e consequentemente devido à minha experiência, acho as praxes completamente desnecessárias. Não precisamos de nada disto para sermos integrados.

Claro que se eu tivesse uma boa experiência, defendia o contrário.

Só acho piada aos inúmeros textos no facebook sobre as praxes escritos pelos ditos doutores e veteranos quando estes são os primeiros a gritarem-nos aos ouvidos e, no fundo, divertirem-se à nossa custa.

São opiniões.

Paguei propinas para estudar, não para rastejar no chão.

E que fique bem explícito que respeito quem gosta das praxes e quem participa nelas.
Não tenho nada contra quem é praxado e praxa, pois ninguém é igual e nem todas as praxes são as mesmas.
Simplesmente decidi que não quero ser praxada e gostava que respeitassem as minhas decisões. Só isso.


Contem-me, como foram as vossas praxes? O que acham sobre isto?

18 comentários:

  1. Gostei muito de saber a tua opinião mesmo só andando no secundário :)

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  2. Ahh. Perguntei porque eu inicialmente andei lá e tinha praxes assim mais rígidas :)

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  3. Já falamos deste assunto vezes sem conta esta semana e tens razão, se não achas bem só tens mais que expor a tua opinião! Mais uma vez te digo que, não é nas praxes que vais encontrar os teus amigos nem "eles" vão ser mais ou menos teus amigos por participares nelas. Eu sempre tive má impressão das praxes praticadas na ESTG e tiveste "o azar" de ir lá parar. E provavelmente no desfile do caloiro vais ver muitos caloiros "empastados" com uma mistela qualquer mal cheirosa. E eu pergunto: Porquê? Para quê? Qual o objectivo? Tive a sorte de frequentar o ISLA de Leiria, e apesar de achar algumas das actividades da praxe "desnecessárias" e sem jeito nenhum, ainda houve momentos engraçados.

    xo <3

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  4. Oh a sério? Qual é o teu curso/ universidade?
    Ainda só tive para aí 3 dias de praxe mas foi muito fixe! Basicamente explicaram como era aquilo, aprendemos musicas, olhar para o chão, fazer figuras de parvos no meio da rua mas nada demais. E até agora os meus doutores não são assim maus! É claro que dizem "olha para o chão" constantemente e às vezes mandam vir connosco e dizer algumas asneiras mas nada demais. E mesmo quando estamos com o kit de caloiro vestido Às vezes falam para nós normalmente e não temos de dizer "sim senhor douto"/ "nao excelentíssima veterana". E fazemos coisas divertidas :)

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  5. Se não te sentias bem, só fizeste bem em sair! :) Se alguém que julgar por isso, é problema deles.

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  6. eu fui praxada à 2 anos, houve momentos que adorei, como os jogos em grupo, os momentos de convívio, as cantorias.. e também houve momentos que não gostei e achei um exagero, por esse mesmo motivo não fui assim com os caloiros quando os pude praxar. Ando no IPS e comigo nunca abusaram também porque não deixei, quando mandavam encher e eu estava cansada ou via que aquilo não se gerava de uma brincadeira não fazia e protestava sempre que não gostava de alguma coisa. Fui habituada a gritos mas apenas quando mandavam fazer granadas, tartaruga aflita ou pega monstros de resto não gritaram comigo. Depende muito de universidade para universidade e há sempre algum engraçadinho que não sabe os limites e se acha superior aos outros, eu percebo e respeito-te, se não te sentias bem fizes-te bem em desistir, não é por causa disso que não vais conhecer pessoas novas, beijinhos e boa sorte para o teu curso :)

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  7. Obrigada linda :) O nosso kit custou 15€ haha mas é composto por umas calças amarelas e largueironas até meio da canela, uma tshirt branca com uma especie do símbolo do super homem e uma capa amarela atrás a dizer enfermagem porto, uma trouxa e a bíblia. E até agora tem sido fixe! Um destes dias fomos para os Aliados assim todos vestidos cantar e dançar lá para o meio haha :)
    É pena que a tua esteja a ser assim! Os doutores até nos organizaram um churrasco para nos podermos conhecer melhor!

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  8. Lamento que a tua experiência não tenha sido a melhor e tenhas acabado por desistir, as praxes variam de local para local e parece-me que onde ficas-te colocada são exigentes. Boa sorte para o curso :)

    http://thepink-lipstick.blogspot.pt/

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  9. "Desculpem, para mim isto não é respeitar ninguém, é sim submeter-se a um conjunto de pessoas que (a maior parte deles) andam ali à séculos para acabar uma licenciatura de 3 anos." Acho que disseste tudo com esta frase!
    Eu frequentei as minhas praxes, bem mais que duas semanas mas se soubesse nunca teria ido. Foi uma porcaria, não gosto da maior parte das pessoas que me praxaram e mal posso olhar para essas mesmas pessoas!

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  10. acho que humilham as pessoas, basicamente é isso a praxe!

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  11. Obrigada! ♥
    Se não te sentias bem, fizeste mais que bem em sair! Entramos na universidade para tirarmos o nosso curso e nos divertirmos! É suposto ser uma das melhores fases da nossa vida... Não vamos deixar a praxe arruinar isso!
    http://keepcalmandshopvintage.blogspot.pt/

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  12. Acho que fizeste muito bem em deixar de ir às praxes. Se não te sentes bem, desiste. E não vejas isso como um ponto negativo. Ao longo do tempo, vais-te dando a conhecer e vais conhecendo outras pessoas. De certeza que vais arranjar amigos para a vida porque não é por não ires às praxes que vais deixar de fazer amigos. Provavelmente, muitos dos caloiros estão na mesma situação que tu :)
    Beijinho e boa sorte com o curso (que isso é que importa)!!!

    Ly <3
    mylittlecorner7.blogspot.pt

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  13. Eu não fui praxada na faculdade, fui noutro sítio anteriormente. Sítio esse em que nunca me senti humilhada porque as praxes, apesar de pesadas, são feitas por pessoas com formação e respeitam a dignidade dos outros. O que se faz nas faculdades é uma imitação deturpada das praxes militares. As coisas que assisti e que descreveste como o não olhar nos olhos do trajado, têm origem no que é ensinado nas forças armadas. Concordo plenamente contigo, essas praxes nojentas são desnecessárias e pelo que descreves bastante inúteis se nem podem olhar nem falar. Quanto a trajar sem ser praxada, é uma parvoíce. Eu trajei e ninguém ousou dizer-me nada, não sei se por ser em Lisboa. Sei que noutras zonas do país as coisas são piores. à parte disso, as pessoas integram-se da mesma forma.

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  14. um tema tão pensado por mim (mas ainda ando no secundário), nunca achei muita graça, mas também há aquela pontinha de curiosidade de experimentar. Adorei saber a tua opinião ! beijinho

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  15. Acho que fizeste muito bem em saíres se não sentias que estavas a ser respeitada!
    Para o ano, quando for para a faculdade, quero ir para a praxe, experimentar e ver como é (toda a gente diz bem daquela praxe, pelos vistos é divertida). Mas se me faltarem ao respeito também não vou achar piada, vou para a faculdade com 20 anos e com mais experiência de vida, de escola e de trabalho do que maioria das pessoas que vão estar lá trajadas. E provavelmente não vou ter medo de olhar para eles nos olhos e dizer o que sinto, se me sentir humilhada, porque lá está, vão ser pessoas praticamente da minha idade e não vou estar lá para isso.
    Concordo com o que dizes, ninguém pode dizer "não gosto da praxe" se nunca experimentou. E acho que a praxe varia de faculdade para faculdade.
    Enfim! Lembro-me de a minha irmã contar quando vinha da praxe, há alguns anos atrás, que era super divertido. Entre jogos, músicas e tantas outras brincadeiras para os caloiros se conhecerem e integrarem! Acho que sim, a isso se chama de praxe.

    Quanto ao teu comentário no blog, as botas são super confortáveis e não me aleijam mesmo nada!! :)

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  16. Bem... Realmente é como dizes, há praxes e praxes. Como gostei imenso da tradição da minha e não tenho nada a apontar, sou a favor delas e acham que ajudam muito a ambientar. Mas lá está, há sempre abusos.

    Boa sorte para esta nova etapa da tua vida.

    http://agatadesaltosaltos.blogspot.pt/

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